sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Foi bom, meu bem?


Nesta sexta-feira, ao chegar à Rádio Inconfidência para trabalhar, encontrei uma colega jornalista que me fez a seguinte pergunta: - E aí, como foi o carnaval em Conceição do Mato Dentro?


Confesso que titubiei ao responder: - Em Conceição? O carnaval?... Bem ...Foi axé! Curti mais as cachoeiras... Ela então falou: - Que pena! Carnaval no interior, geralmente, é tão gostoso, não é? E completou: - Axé é na Bahia, não tem nada a ver com nosso carnaval mineiro! Com um certo pesar, apenas falei:- exatamente! Em seguida, ela subiu no elevador e o assunto foi encerrado.


Havia prometido a mim mesma que não voltaria a escrever, por agora, sobre o carnaval em CMD, por achar que já teria dito quase tudo que tinha para dizer e que não gostaria de ser repetitiva. Mas, percebi que ainda tenho alguma coisa para falar e a vontade de me expressar continua. Sinto que, ao falar, falo não só por mim, mas por pessoas que também gostariam de ter espaço e a oportunidade de dizer o que pensam, querem, sonham...


Para vocês terem uma idéia de como às vezes é difícil não falar do assunto, nessa quinta-feira, liguei para meu pai, em Conceição e ele me perguntou: - E aí, Déborah? Não vai escrever no seu blog sobre o sucesso que foi o carnaval em Conceição? Que foi o melhor carnaval da região? Na mesma hora eu respondi: - Carnaval? Que carnaval? Melhor da região para quem? Para o senhor? Para a população? Para a Prefeitura? Para quem gosta de axé? Para quem curtiu a megaboate? Para quem produziu a festa ou ganhou dinheiro com ela?


Para mim e várias outras pessoas, o carnaval em Conceição do Mato Dentro não existiu. O que houve foi uma grande festa axé, com milhares de pessoas, principalmente jovens, dançando. Eu até que tentei, como vários outros conterrâneos, curtir a festa também, mas não consegui permanecer por mais de 5 minutos na praça onde aconteceu o carnaval. Não me identifiquei com a festa e preferi ir para casa dormir e descansar.


Reconheço que o axé deste ano atraiu muitas pessoas, gerou emprego e renda, movimentou a economia da cidade...Mas ...E se fosse um carnaval tradicionalmente mineiro, bem produzido, será que não geraria também os mesmos benefícios ou até muitos outros mais?


Já disse e repito, temos que definir um plano de turismo sustentável para Conceição do Mato Dentro e definir que tipo de turista queremos. E também preparar a cidade para receber e ensinar o visitante a respeitar nossas áreas de lazer, nossas cachoeiras, nossas ruas...


A última edição do jornal publicado pela jornalista Roberta Zampetti em Conceição do Mato Dentro mostrou a falta de respeito com que as pessoas tratam nossas cachoeiras. Jogam lixo, poluem e depois vão embora na maior cara-de- pau, como se o problema não fosse delas. É isso que queremos para Conceição? Vamos deixar que isso aconteça sem colocar a boca no trombone?


Sou alguém que acredita na consciência e justiça sociais, que acredita que todos deveríam ter direitos e deveres iguais, que valemos pelo que somos não pelo que temos, que procura respeitar as pessoas e suas idéias e defende muita responsabilidade quando o assunto é cuidar do que é de todos. E por acreditar que a democracia é possível, sinto-me no direito de questionar, sugerir, propor e cobrar. E hoje recebi um comentário do Geraldo Márcio, conceicionense sempre presente em Conceição, conhecido como Marcinho do Gigi, que me fez ver que estamos no caminho certo quando debatemos assuntos que dizem respeito à preservação de nossa cidade. Acho que vale a pena ler o comentário e refletir sobre o que ele escreveu:


"Déborah , este é o momento! O que se fizer nestes próximos 10 anos em Conceição, com certeza, irá definir o próximo século de nossa cidade. Acho importante ressaltar, que a responsabilidade não é só política, mais sim de todos nós, que na prática, muito pouco fizemos por Conceição.

Acredito, que só com uma união forte entre os mato dentro e os mato fora, poderá ser criada realmente uma força pensante e de mudança, independente da situação política. Fico impressionado de ver o grande número de conceicionenses, que se recolhem de uma participação mais ativa, sempre falando: a política lá é difícil... e todos nós sempre paramos nesse chavão...
Se a política atrapalha, vamos criar algo mais forte do que ela. Afinal, um dia todos nós vamos passar e esperamos que Conceição continue com suas belezas naturais e culturais.

O que se questiona não é a necessidade de se desenvolver, mas sim, se somos capazes de transformar esse crescimento em algo harmonioso. Uma associação, uma Ong, algo que esteja distante e acima dos efêmeros 4 anos de poder, afinal somos muito maiores que isso.

Marcinho do Gigi,

27 de Fevereiro de 2009 21:03"


Obrigada, Marcinho, pelas suas palavras! Temos mesmo que nos unir e debater caminhos alternativos para Conceição, caminhos que sobreponham as desavenças e os ranços políticos.


Como já disse nos textos anteriores, o Carnaval é uma das formas de expressão cultural e popular que reúne crianças, jovens, adultos e idosos e onde as pessoas se fantasiam, liberam a criatividade, participam de blocos caricatos, assistem e participam de desfiles de escolas de samba, encontram os amigos a até se vestem de mascarado, como fazíamos antigamente e bem lembrou o conterrâneo Delmiro Portilho, que, quando adolescente, confeccionava, com muita habilidade, máscaras feitas de papel maché e que comprávamos na mão dele para vestir de mascarado e sair assustando as pessoas pelas ruas da cidade! Era gostoso demais essa brincadeira! Delmiro, inclusive, disse que quer voltar a fazer essas máscaras para o carnaval do próximo ano. E eu torço para que tenhamos espaço e clima para usá-las, Delmiro. Você sabia que consigo sentir ainda o cheiro que tinham essas máscaras?


Carnaval, na minha opinião, não é essa massificação cultural que cada vez mais vem sendo imposta como uma praga que se alastra por todos os lados. O axé saiu da Bahia, penetrou em vários lugares e comprometeu a diversidade cultural. Respeito as pessoas que curtem o axé. Tem algumas músicas que eu gosto também. Mas acho que o axé tem mais a ver com a Bahia, pois faz parte da cultura deles. Acho ainda super válido que se faça uma troca de culturas, mas que o nosso carnaval mineiro seja priorizado. Realmente, fico triste quando vejo nossa Conceição indo na contramão da tradição. A Prefeitura deveria ser a primeira a cultivar, defender, valorizar e preservar a história e os costumes da cidade. Pode sim, trazer o novo, mas sempre com respeito à verdadeira identidade da população.


Outra coisa que ouvi muito nos últimos dias é que carnaval é isso mesmo, que é coisa para jovem... Fiquei indignada quando me falaram isso! Quer dizer que apenas os jovens têm o direito de dançar e aproveitar o carnaval? Quem não é jovem não tem o direito de viver a vida e por isso deve morrer? Quem não é jovem tem que ficar em casa vendo televisão ou dormindo? E afinal, o que é ser jovem?


E dormir foi exatamente o que fizeram várias pessoas que moram ou possuem casa na cidade, que estão acostumadas a participar e prestigiar todos os eventos que acontecem em Conceição e que também tentaram curtir o carnaval e quando chegaram à praça Ubaldina, voltaram para trás, pois não encontraram espaço e nenhuma manifestação com a qual elas se identificassem. Conclusão: moradores de diversos bairros, pessoas que fazem parte da história de nossa cidade, que pagam impostos, que também geram emprego e renda, que trabalham pelo desenvolvimento da cidade ficaram totalmente deslocados em sua própria terra e completamente excluídos desse carnaval .


Eu não falo isso só por mim não. Eu moro em BH, tenho várias opções de lazer e posso escolher os lugares aonde quero ir, se quiser dançar, me divertir. Falo isso, principalmente, pelas pessoas que moram em Conceição e que não podem ou não têm a opção de viajar e sair da cidade e que ficaram totalmente de fora do carnaval deste ano por que não se identificaram com o axé. Pessoas que em anos anteriores saíam de casa para assistir ao desfile da Escola de samba da Band, para ver os blocos caricatos e o movimento na Avenida e que este ano ficaram a ver navios. Não que os outros carnavais fossem perfeitos, mas pelo menos eles possibilitavam uma maior participação de pessoas de todas as idades e classes sociais.


Espero e torço para que no próximo ano Conceição se una a Ouro Preto, São João Del Rei e Mariana e promova o carnaval das cidades históricas e realize um carnaval que tenha a nossa cara, um carnaval para todos.


Por falar em preservar a história e em participação popular, a cidade de Pedro Leopoldo, localizada na Região Metropolitana de Belo Horizonte dá um show no quesito respeito às tradições e manifestações populares. Todos os anos é realizada na cidade, a festa Boi da Manta, onde o boi é figura de destaque. Nesse evento, que é realizado todas as quartas e sábados antes do carnaval, adultos e crianças se fantasiam com muita criatividade e se tornam "mascarados".


Na última sexta-feira, antes do carnaval, o povo se despede da brincadeira do boi. Essa despedida é chamada de "enterro do boi" e tem como ponto máximo o momento em que o "boi" é jogado no Ribeirão. Como ele é feito de taquara, ele fica flutuando. E quando ele é jogado no rio, todos os foliões que acompanham o cortejo choram a morte do boi que, entretanto, renasce a cada carnaval.


A festa atrai milhares de turistas que também são convidados a participar da folia.


Este ano fui conhecer o Boi da Manta e adorei. O que mais me encantou, entretanto, foi ver a animação e envolvimento dos moradores da cidade no evento.


Foi realmente emocionante ver crianças, jovens e adultos com fantasias variadas e criativas, todos unidos e animados, participando dessa festa que é uma verdadeira e rica expressão da genuína cultura popular e que por isso merece ser preservada..


Parabéns a Pedro Leopoldo por manter e respeitar a história e as tradições que são a maior riqueza de um povo.


Vejam as fotos do Boi da Manta em Pedro Leopoldo.







quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

A magia da natureza é um presente em Conceição do Mato Dentro



Cada vez que visito Conceição do Mato Dentro tenho o prazer de descobrir um novo e deslum-brante recanto natural.



Portador de grandes riquezas ambientais, o município é considerado um santuário ecológico e foi declarado pela Unesco em junho de 2005, integrante da Reserva da Biosfera da Serra do Espinhaço.



Nesse carnaval, a região de Conceição foi contemplada por dias ensolarados que possibilitaram passeios maravilhosos e o desfrute dessa exuberante natureza que é motivo de orgulho para todos nós, conceicionenses.



Hoje quero convidar você a participar dessa caminhada que fiz, na segunda-feira de carnaval, a um dos inúmeros paraísos ecológicos de CMD.



Foram duas horas de caminhada sobre íngremes trilhas de pedras rolantes, matas fechadas e campinas rupestres até chegar a esse lugar, onde o Divino se faz presente.



Faça comigo essa viagem e aprecie esse belo cenário:



















sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O debate é preciso e vai continuar!


Confesso que fiquei surpresa com tamanha repercussão que teve a matéria "Na Contramão da Tradição", postada por mim no último domingo. Foram mais de 1000 acessos a este blog até essa quinta-feira, o que demonstra o grande interesse que os conceicionenses têm pela cidade.

As considerações do blog sobre o Carnaval Axé 2009 foram obviamente construtivas, pois feitas com argumentos que podem ser avaliados e contestados, assim como a maioria dos comentários.

O principal objetivo de tudo que escrevi foi justamente provocar um debate que levasse à reflexão acerca de qual projeto queremos que seja implantado nesse local tranquilo, com baixíssimo índice de violência, repleto de história e tradição, que é Conceição do Mato Dentro. Um lugar de grande potencial cultural, ecológico e humano. Enfim, uma cidade que considero ideal para se viver, criar filhos, construir a vida, curtir a velhice e que precisa ser preservada.

Reitero aqui minha preocupação com o que pode vir a acontecer com nossa cidade se não nos envolvermos em assuntos importantes ligados aos interesses de toda a população.

E é essa busca pelo senso comum, pelo exercício legítimo do direito de influir nas decisões que dizem respeito a Conceição que me levou a questionar as mudanças que estão sendo realizadas sem que os interessados tenham a oportunidade de opinar.

E eu sei que muitos querem participar das decisões que dizem respeito à cidade. Haja vista os debates neste blog e os mais de 1000 acessos que ele teve em apenas 3 dias de postagem.

As pessoas querem falar, mas às vezes não possuem um canal de comunicação para se manifestar, cobrar ou reivindicar.

E aqui, bato na tecla de que temos que continuar a reflexão sobre o nosso carnaval, se fica o axé, se resgatamos o carnaval dos velhos tempos, com marchinhas, blocos e escolas de samba. Ou ambos. Se seguimos ou não o exemplo das cidades históricas de Ouro Preto, Mariana e São João Del-Rei, que, com sensibilidade cultural e visão turística, resgatam neste ano o maior bem que é sua identidade, através do carnaval cultural. (Leia, clicando aqui, a reportagem feita pelo Jornal Estado de Minas, através do site UAI, e confira os benefícios do projeto "Carnaval das cidades históricas).

Também reitero que não precisamos radicalizar. É aceitável a idéia de se fazer também um carnaval que ofereça a opção para os jovens e todos aqueles que amam o axé. Mas sugiro que se crie um espaço próprio para isso, afastado do centro da cidade. Assim, evitamos que nossos casarões antigos corram o risco de serem danificados pelo alto volume do som que os trios elétricos emitem, como nos explicou tão bem o Sr. João Bosco Miquelão em seu comentário ou que nosso patrimônio artístico corra riscos, como mostra esta foto enviada por um conceicionense.

E fica aqui uma sugestão: façam o carnaval axé no próximo ano no parque de exposições, que fica na entrada da cidade ou em qualquer outro lugar mais afastado. Deixem as praças livres para quem gosta de brincar o carnaval de marchinhas e samba-enredos, rever os amigos, conversar... Assim gregos e troianos ficarão satisfeitos.

Achei todos os comentários válidos e importantes. O debate foi riquíssimo. Tenho certeza de que ele mexeu com todos aqueles que gostam de verdade de Conceição do Mato Dentro e até mesmo com pessoas que nunca lá estiveram. O nível dos comentários foi muito bom, apesar de algumas pessoas não terem entendido o que eu quis dizer e que meu objetivo era provocar a reflexão e não atacar ou fazer politicagem.

E não paramos por aqui. Falaremos mais sobre Conceição neste blog, de forma apartidária, sempre em defesa da ética, da democracia, da justiça social e dos interesses da cidade.

E vamos continuar questionando tudo que for importante para o bem de CMD, pois temos o direito de exercer nossa cidadania e de participar de todos os processos políticos. Vamos continuar fazendo sugestões e discutindo o que consideramos melhor para Conceição.

Tenho a esperança, assim como a maioria da população, de que o Prefeito realizará uma boa administração. Sabemos que ele é dinâmico, vaidoso e tem carinho por nossa cidade. E todos nós vamos ajudá-lo com sugestões, críticas e comentários. E espero que sejamos ouvidos!

Como cidadã consciente, tenho que exercer meu direito de cobrar dos governantes o que acredito ser importante. Cobrar transparência no uso dos recursos públicos, cobrar o cuidado que nossa cidade merece.

Dinheiro público é para ser investido em prol da cidade e das pessoas que nela vivem. É para ser usado em educação, saúde, habitação, saneamento e também lazer e cultura. Mas tem que ser bem usado. E tem que ser feita a prestação de contas, saber a origem e destino das verbas públicas. Temos também que acompanhar o trabalho dos vereadores, ver o que eles estão votando e decidindo para nossa cidade.

Algum de nós já cobrou de algum prefeito a prestação de contas com relação ao uso das verbas públicas? Você sabe quais são e como foram gastas as verbas recebidas pelo Município para serem investidas em turismo e meio-ambiente? Aonde elas foram parar? O que foi feito com elas? As verbas oriundas do ICMS ecológico... Como elas foram gastas? Se foram usadas de forma correta? E as verbas para a educação, saúde e habitação?

Nós, cidadãos, temos que começar a mudar nossa mentalidade e nos interessar mais pela coisa pública, pois cada um tem o dever de zelar pelo interesse coletivo.

Portanto, defendo a união de todos para que ajudemos a escrever a história de nossa cidade, com os pés no presente e de olho no futuro, sem jamais esquecer e valorizar nossas tradições.

Agradeço a todos que participaram e ajudaram a enriquecer esse debate. Espero que continuem postando seus comentários, que muito me honram.


domingo, 15 de fevereiro de 2009

Na contramão da tradição


Estou assustada e apreensiva com o que pode vir a ser o carnaval em Conceição do Mato Dentro este ano. Vou explicar por quê:

Conceição do Mato Dentro é uma cidade de 18 mil habitantes que fica localizada a 155 quilômetros de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais. Uma cidade histórica com inúmeros imóveis tombados, porém, infelizmente, nem todos devidamente cuidados e preservados como deveriam e mereciam ser. Conta ainda com uma natureza privilegiada e por isso é reconhecida como um santuário ecológico.

Conceição sempre contou com um carnaval tranqüilo, agradável, que proporciona oportunidades de rever familiares, amigos e conterrâneos que muitas vezes só se encontram nessa época do ano. Um carnaval pautado por manifestações populares espontâneas e cuja grande atração era o desfile da Escola de Samba da Band, idealizada e produzida, com muito suor, pela carnavalesca Nídime.

Na semana que se passou, encontrei uma conhecida que me perguntou aonde eu iria passar o carnaval este ano. Eu disse que seria em Conceição do Mato Dentro, pois lá o carnaval era tranqüilo e que eu não queria muita confusão, queria mais descansar.

Pouquíssimos dias depois, qual não foi minha grande surpresa, receber a notícia de que a folia em Conceição iria ser um megaevento, embalado por várias bandas que tocam música baiana, megaboate e até mesmo trio elétrico.

Fiquei assustada com a grandeza que passaria a ser o nosso, até então, agradável e aconchegante, carnaval conceicionense .

Para você ter uma idéia do motivo do meu susto, de acordo com o que está sendo divulgado pelos organizadores do evento, foram contratadas 5 bandas de axé, trio elétrico, DJ profissional para tocar em uma megaboate que vai ser montada na praça principal da cidade, entre outras "atrações".

Gente, 5 bandas de axé é muita coisa! É axé demais para uma cidade que tem uma cultura associada à música de qualidade, que tem um carnaval tradicionalmente embalado por marchinhas e samba até há pouco tempo.

Não que eu deteste axé. Somente acho que o axé combina com a Bahia, pois tem a ver com a cultura de lá, surgiu lá e é o axé que tornou o carnaval baiano mais conhecido em todo o mundo. Então, que fique por lá.

Além do mais, sou mineira e aprendi a gostar e a preferir o ritmo das marchinhas carnavalescas e do sambinha. Acredito que a maioria dos moradores de Conceição também assim prefere e se pudessem, não iriam escolher o evento que está para ser realizado este ano.

Por que não produzir um carnaval mais mineiro, que tenha nossa cara e conte nossa história? Um carnaval para todos, mas para todos que se identificam realmente com nossa cidade!

E eu pergunto: - Por que contratar 5 bandas de axé? Por que não foram contratadas outras bandas que tocam samba e marchinhas? Por que não agradar também quem não gosta tanto assim de axé e prefere o carnaval mais mineiro?

Outra questão importante a ser levantada são os gastos que a Prefeitura terá com transporte, alimentação e estadia, sem contar os cachês de 5 bandas com vários integrantes e ajudantes!

Organizadores, ajam com equilíbrio no gasto do dinheiro público! Tenham responsabilidade e sensibilidade cultural!

E novamente questiono: - Para que um evento tão grande numa cidade tão pequena e delicada? Além do mais, Conceição não tem infra-estrutura para ter seu carnaval transformado em um agito desse porte e receber um número excessivo de visitantes.

Agora, o pior de tudo, o que mais temo, é o barulho, que possa vir a incomodar toda a cidade, que tem muitos idosos, e transformar 4 dias que seriam de descanso e lazer em uma tortura auditiva. Espero que esse aspecto seja observado pelas autoridades locais e organizadores do evento e que carros de som não fiquem fazendo barulho na cabeça de quem não gosta, não quer ou precisa dormir. Que o som seja restrito ao local do evento e que não atinja e perturbe toda a cidade de forma indiscriminada. Que seja feito um trabalho para coibir carros de som passando a todo momento pelas ruas da cidade com o volume nas alturas, pois as pessoas também querem e precisam descansar.

Na última vez que visitei Conceição, durante o feriado de Natal, um carro de som com o volume nas alturas, passava a todo momento na porta da casa dos meus pais, onde me hospedo, impossibilitando a todos descansar.

E eu pergunto novamente: - Você acha que é certo que várias pessoas sejam prejudicadas por atitudes inadequadas de quem não se preocupa com a coletividade? Barulhos desse tipo espantam turistas e visitantes e torturam os moradores que não têm para onde fugir! Quem visita Conceição busca descanso, paz e harmonia. Quem gosta de barulho e confusão, vai para outro lugar.

Por isso, acho que Conceição do Mato Dentro tem que ter uma lei municipal que limite o barulho na cidade, uma lei que determine os níveis de decibéis que podem ser atingidos de forma a garantir a saúde auditiva e mental da população, pois som muito alto deixa qualquer pessoa doida, além de ensurdecer .

Acho ainda que a população tem que cobrar isso dos vereadores eleitos por ela. Eles foram eleitos para cuidar dos interesses do povo e não apenas para ir mensalmente receber uma polpuda remuneração por dois ou três dias de trabalho. Atenção, senhores vereadores, vamos trabalhar em prol da qualidade de vida da nossa população! Vamos colocar limites onde eles são necessários!

Escrevo estas palavras com o único objetivo de pedir que cuidem e tenham sensibilidade com nossa pequena Conceição e para chamar a atenção sobre detalhes que nem sempre são vistos e observados por aqueles que foram eleitos para desempenhar esse papel. Detalhes importantes para que a nossa cidade continue sendo um lugar agradável para todos.

Outro aspecto que deve ser ressaltado é que em tempos de crise econômica mundial não combina gastar fortunas com eventos grandiosos. Estamos em tempo de vacas magras e que para muitos nunca foram gordas. É preciso que se prevaleça o bom senso e a consciência ecológica e de civilidade. O momento é de se fazer economia, viver com mais simplicidade, descobrir a beleza, o prazer e o retorno que as pequenas coisas podem proporcionar.

Vivemos num mundo de consumo exagerado e ao mesmo tempo com bilhões de pratos vazios e uma natureza cada vez mais desrespeitada. Temos a obrigação de fazer nossa parte. Até porque, não combina se gastar tanto com uma megafesta se temos uma cidade carente de muitos cuidados em todas as áreas e cheia de pessoas carentes de tudo, desde saúde até educação.

Senhor Prefeito, fica aqui minha sugestão: vamos privilegiar a nossa cultura, resgatar o carnaval mineiro de sambas e marchinhas, como já vem sendo feito nas cidades irmãs de Ouro Preto, Sabará e Diamantina, que não permitem que se toque funk nem axé no carnaval.

Acho até que nem é preciso radicalizar tanto. Pode até ter um pouco desses gêneros musicais também, mas, só eles, não!

Já que neste ano não dá mais para voltar atrás, pois o carnaval começa nesta semana, espero que os projetos do carnaval do próximo ano sejam construídos com mais simplicidade e que visem o prazer e desfrute principalmente dos que vivem em Conceição. Que a população seja ouvida durante a elaboração de projetos desse tipo. Que o próximo carnaval seja concebido de dentro para fora e não voltado apenas para aqueles que visitam nossa cidade unicamente nesta época.

Outra, coisa, Prefeito, espero que o senhor seja sensível a estas observações e que se comprometa a governar nossa cidade com projetos que consigam enfrentar a realidade nua e crua de nossa população, composta por grande número de excluídos que às vezes não têm nem mesmo o que comer. Que o senhor consiga ser um gestor sensível e que trabalhe para construir uma cidade onde todos tenham direito á educação, saúde, uma melhor qualidade de vida e que seja cuidada com carinho e sensibilidade como ela merece.

O senhor que participou e venceu uma eleição difícil e contou com o respaldo da maioria dos conceicionenses, deve aproveitar essa oportunidade para realizar um bom governo que atenda as reais necessidades do município, como esperam aqueles que o elegeram e acreditaram em suas propostas.

E é isso que vamos cobrar!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Não perca tempo e atrase seu relógio em 1 hora!



É impressionante como o tempo passa rápido! Nem bem começa a semana, já chega a sexta-feira, o final de semana e uma nova segunda-feira...

É tão impressionante essa rapidez, que hoje em dia, um dos principais assuntos discutidos em rodas de amigos, encontros no elevador, locais de trabalho ou mesmo em casa é a rapidez com que passam o tempo, os dias, os meses e a própria vida....

Divertido mesmo é ver todo mundo tentando explicar porque o tempo voa. São várias as teorias que surgem acerca do assunto.

Algumas pessoas dizem que é porque vivemos correndo o tempo todo. Outros tentam justificar através de teorias científicas, dentre elas, a da mudança da polaridade do planeta Terra. São vários os argumentos e opiniões, que na verdade não levam a nada e só fazem perder mais tempo...

Mas, rápida, rapidíssima, extremamente rápida ou não, a vida passa mesmo, de qualquer jeito. Não tem como parar o tempo. O tempo só para mesmo para quem parte dessa para uma melhor.

Por isso, ao invés de ficarmos preocupados se a vida está passando velozmente ou não, temos mais é que procurar viver bem e ser feliz a cada segundo conquistado. Aí, então, o tempo e a velocidade com que ele passa, não serão nem um pouco relevante.

Na verdade, comecei a falar sobre o tempo porque me lembrei que neste sábado, termina o polêmico, odiado por uns e amado por outros, por mim mais odiado que amado, horário de verão. Detesto esse horário inventado pelo homem com a desculpa de economizar energia. Pode até economizar, mas será que vale a pena essa pequena economia se comparada aos transtornos que ele causa à saúde dos trabalhadores e da população em geral?

Mas, sinceramente, acho que esse maldito horário de verão até que passou rápido, viu? Ainda bem! Pois não existe nada melhor do que você viver sob o tempo autêntico, sob o horário real da natureza que eu gosto de chamar de horário de Deus.

E como tudo nesta vida tem o lado bom e o lado ruim, o horário de verão também tem seu lado positivo, que é justamente quando ele termina e ganhamos uma hora a mais. E em tempo de tempo escasso... Uma hora a mais pode representar muito tempo!

Portanto, neste sábado, não se esqueça: atrase seus relógios em uma hora. E curta a beça! Aproveite! Comemore! Saia para passear e se divertir! Pois, numa época em que o tempo voa.... Uma horinha a mais pode representar muito tempo e isso é motivo suficiente para se comemorar.

Então... Não perca tempo! E boa sorte!

E você,o que acha do horário de verão? Você gosta ou desgosta? Você ama ou odeia? Você tolera ou venera?

Deixe aqui sua opinião. Ela é super importante para nós. E desde já, obrigada pela sua participação!

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Vai que é sua, Tidú!


Hoje não é aniversário apenas do cientista inglês, Charles Darwin. Hoje, 12 de fevereiro, também é o dia de nascimento do meu cunhado Eduardo, chamado pelos amigos e familiares de Tidu e ou de Cluquinho, irmão do Clucão.

Tidu, trabalha como profissional Martelinho de Ouro e tem salvado a lataria de inúmeros veículos vítimas de pequenos acidentes ou de chuvas de granizo, que por sinal, têm caído com enorme frequencia nesses dias atuais de aquecimento global.

Eduardo, com certeza, pode ajudar muito você a recuperar a estética do seu carro.

O melhor de tudo é o preço justo que ele cobra pelo serviço. Se quiser conhecer o trabalho dele, ligue:( 31) 84952537, peça socorro e será prontamente atendido.

Eu queria aqui, desejar muito sucesso e muitas felicidades para meu cunhado.
Tudo de bom mesmo! Que você consiga realizar todos os seu sonhos!

Vai que é sua...Tidu!

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Bicentenário de Charles Darwin-o homem que revolucionou a biologia-


No último dia 05 recebi uma sugestão de um amigo e seguidor deste blog, João Bosco Miquelão, para que fizesse uma homenagem ao bicentenário de um dos maiores nomes da ciência, o inglês, Charles Darwin, que nasceu no dia 12 de fevereiro de 1809.

Autor da teoria evolucionista, Darwin criou uma grande polêmica ao lançar seu livro “A origem das espécies”, onde demonstra que as espécies vivas evoluíram por meio da seleção natural.

Imagine o que representou o lançamento dessa obra numa época em que um grande número de pessoas, os chamados criacionistas, acreditava que a vida era fruto da criação divina!

O bicentenário de Darwin está sendo comemorado em todo o mundo, com várias atividades. Quem quiser saber dos eventos que serão realizados no Brasil, basta clicar aqui

E como não poderia deixar de ser, também faço, aqui, minha modesta homenagem a esse homem que revolucionou a biologia, postando esta matéria produzida pela Agência France-Press.

Bicentenário de Charles Darwin, o fundador da biologia moderna

PARIS (AFP) - Charles Darwin, nascido há 200 anos, fez o homem encontrar seu lugar no mundo ao localizá-lo na longa história da evolução das espécies, desmentindo a crença de uma criação divina e fundando a biologia moderna, antes de suas idéias serem utilizadas com fins racistas ou eugenistas.

O cientista inglês, assim como outros naturalistas que o precederam, encontrou nos animais muitas características comuns e tentou explicar a origem destas. Quis compreender, por exemplo, por que todos aqueles que têm bico têm também plumas, ou por que todos os que têm membros têm também vértebras.

Baseando-se na geologia, demonstrou que as espécies evoluíram por meio da seleção natural, que favorece alguns atributos (tamanho, cor, forma...) ou comportamentos dos organismos vivos em um determinado meio ambiente.

"Há muitas variações na espécie. Aqueles que são momentaneamente avantajados pelas condições de seu entorno deixam mais descendentes", explica Guillaume Lecointre, professor do Museu Nacional francês de História Natural.

Essa lei explica a longa história da vida na Terra, do surgimento de organismos unicelulares até os mamíferos e o homem.

Revelada em 1859, em "A origem das espécies", a teoria de Darwin causou agitação entre aqueles que acreditavam na criação divina de espécies imutáveis.

Hoje, a maioria dos cristãos aceita (com a exceção dos chamados criacionistas) o princípio científico da evolução, mas o papel desempenhado pelo acaso no surgimento das variações ou de novas espécies continua sendo para muitos um obstáculo.

Além disso, o pensamento de Darwin foi rapidamente utilizado por alguns de seus contemporâneos para justificar com o lema da "sobrevivência do mais apto", o domínio da raça branca ou dos países ocidentais.

Isso ocorreu, apesár de Darwin ter escrito no quinto capítulo de "A origem das espécies": "As espécies que sobrevivem não são as mais fortes, nem as mais inteligentes, e sim aquelas que se adaptam melhor às mudanças".

Em "A descendência do homem", publicado doze anos depois, Darwin estende sua teoria ao homem, que "com todas as suas capacidades sublimes, continua levando em sua constituição corporal a marca indelével de sua origem primitiva".

Darwin demonstra nessa obra que a seleção natural "favoreceu na evolução humana o desenvolvimento de instintos sociais e o aumento correlacionado das faculdades racionais", ressalta Patrick Tort, autor de um Dicionário do Darwinismo.
Contrário à escravidão, Darwin usava a palavra raça apenas para designar uma forma dentre outras de variabilidade dentro da espécie humana.

Há 150 anos, o pensamento darwinista tem sido confirmado graças às contribuições da genética, descrita pela primeira por Gregor Mendel em 1866, mas que Darwin nunca levou em consideração.

A biologia evolutiva, eclipsada nos anos 50 pela descoberta do DNA e dos processos físico-químicos nas moléculas, registrou um novo auge há duas décadas.

No homem, mostrou os problemas de adaptação ligados a mudanças rápidas demais nos hábitos. Por exemplo, o brutal aumento do consumo de açúcar provocou um vertiginoso aumento dos casos de obesidade, de miopia e de acnes.