segunda-feira, 25 de março de 2013

Ambientalistas mobilizam-se contra projeto de mineração




Ambientalistas de Minas Gerais se mobilizam para tentar impedir a aprovação, pela Assembleia Legislativa do Estado, de um projeto que autoriza mineradoras a dragar o fundo de rios de preservação permanente. O Projeto 3.614/12, aprovado em primeiro turno, autoriza o "revolvimento de sedimentos para a lavra de recursos minerais" em rios como o São Francisco, o Jequitinhonha, o Cipó e outros. O texto está pronto para ser votado em segundo turno e, se aprovado, dependerá apenas de sanção do governador Antônio Anastasia (PSDB) para entrar em vigor.

A reportagem é de Marcelo Portela e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 22-03-2013.

O projeto foi apresentado na Assembleia pelo deputado Lafayette de Andrada (PSDB) em 3 de dezembro, passou pelas Comissões de Constituição e Justiça (CCJ) e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e foi aprovado em plenário.O deputado Célio Moreira (PSDB), relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente - que preside - deu parecer favorável à aprovação, mas a Casa entrou em recesso pouco depois.

Se aprovado da forma como está, o projeto autorizará mineração em trechos do Rio São Francisco e nos Rios Pandeiros e Peruaçu, integrantes da bacia hidrográfica do São Francisco; no Rio Jequitinhonha e afluentes, no Rio Grande e afluentes, e no Rio Cipó, que aflui no Rio das Velhas - que também integra a bacia do São Francisco. "É uma papagaiada. Defende-se a economia de água e até que as pessoas fechem a torneira enquanto escovam os dentes, mas as políticas públicas são frágeis", avaliou a superintendente da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Maria Dalce Ricas.

Desde a aprovação do projeto em primeiro turno, entidades de defesa do meio ambiente e ativistas se mobilizam para impedir que ele volte para o plenário. "A aprovação desse projeto no apagar das luzes, mesmo com parecer contrário da Secretaria de Meio Ambiente (do Estado), pegou todo mundo de surpresa. Alguns desses trechos são importantes áreas de piracema", observou Maria. Ela afirmou que, para tentar manter o texto fora da pauta, apelou até a Anastasia - que tem maioria folgada no Legislativo -, mas o texto, segundo a página da Assembleia na internet, continua "pronto para a ordem do dia em plenário".

''Frankenstein''

O autor do projeto, porém, afirmou que estaria disposto até a retirar a proposta. Andrada disse que o objetivo original da proposta era permitir apenas a extração artesanal, com autorização de órgãos ambientais, de areia e cascalho, que eram exercidas em cidades à beira do Rio Grande antes da aprovação de lei, em 2004, vetar a atividade. Na justificativa do projeto, ele alegou que esses materiais são de "fundamental importância econômica, sobretudo para a construção civil e ampliação de infraestrutura".

Mas o texto autoriza a dragagem para a "lavra de recursos minerais", sem especificar quais, e Andrada ainda ressaltou que foram "inseridas" emendas que tornaram o projeto um "Frankenstein". "À medida que o projeto caminhou nas comissões, apareceram montes de emendas. Meu projeto tinha uma linha e agora tem duas páginas. Virou um carrapato carregando um boi. Não sou a favor do monte de loucuras que estão lá", afirmou. Moreira não foi encontrado para falar sobre o caso.




domingo, 24 de março de 2013

Anglo agita Conceição do Mato Dentro


Mina da Anglo transforma a vida na pacata Conceição


Por Marcos de Moura e Souza | De Conceição do Mato Dentro (MG)


A centenária cidade mineira vive o dilema entre os benefícios do investimento em minério de ferro e as consequências do crescimento acelerado e sem planejamento

Seis anos depois de começar a se converter na base do projeto mais ambicioso da mineradora britânica Anglo American no mundo, a pequena Conceição do Mato do Dentro está transformada. Os hotéis e pousadas vivem cheios. As ruas antigas da época do Brasil colônia passaram a ter congestionamento. A renda subiu, emprego não falta e arrecadação da prefeitura disparou. Mas o Minas-Rio, o empreendimento de US$ 8,8 bilhões para extração de minério de ferro das montanhas na zona rural, não trouxe só bonança. 

O projeto desatou uma sucessão de problemas até agora não resolvidos e que deixam autoridades e parte da população inconformadas.

A Anglo e as empresas prestadoras de serviços nas obras são hoje o motor de Conceição do Mato Dentro. 

A cidade, de 1702, não tinha até então uma grande indústria, nem comércio pujante. Tentou investir na imagem de polo de ecoturismo, mas muitos dizem que a ideia nunca realmente decolou.

"Para o meu negócio, foi a salvação", diz Allan Augusto Galdino, de 55 anos, um ex-bancário que há quase 15 anos decidiu voltar de Belo Horizonte para sua cidade natal e montar um restaurante e uma pousada. O movimento era fraco e só começou a melhorar entre 2007 e 2008, quando a Anglo American adquiriu a mina do empresário Eike Batista e terras do entorno. A pousada de Galdino, que tinha 16 quartos foi ampliada para 24. Ele, então, arrendou outra com 18 e agora está construindo uma terceira com mais onze quartos.

Os negócios de Galdino são uma síntese do que aconteceu com a economia local. Tudo, ou quase tudo, gira em torno do empreendimento. Restaurantes, pousadas, mercados, postos de combustível, farmácias, lojas de roupa, empregos. Mas críticas repetidas na cidade ao projeto se referem ao outro lado da história. "O impacto social está sendo muito maior do que o ambiental", diz o prefeito Reinaldo César de Lima Guimarães (PMDB).

Com uma população de 17 mil habitantes, Conceição inchou. São cerca de 6 mil trabalhadores no projeto da Anglo, diz a prefeitura. A empresa fala em 4 mil espalhados pela cidade, onde está a maior parte dos trabalhos, e por dois municípios vizinhos. Parte mão de obra local, parte de outras cidades e outros Estados. 

Muitos trabalhadores dormem em extensos alojamentos nos canteiros de obras. Mas uma boa parte vive em casas em Conceição do Mato Dentro. E quando isso começou a acontecer, logo surgiu o primeiro efeito colateral do empreendimento: os alugueis subiram numa velocidade espantosa. Casas simples que famílias da região pagavam de R$ 200 a R$ 250 por mês há quatro ou cinco anos variam hoje de R$ 1 mil a R$ 1,5 mil. Uma casa com um pouco mais de conforto, que até 2011, o proprietário cobrava R$ 2,2 mil, no ano passado já queria R$ 5 mil.

Muitas famílias viram aí um filão. Passaram a viver com parentes enquanto alugavam seus imóveis para os forasteiros dispostos a abrir a carteira. Mas outras se acharam no aperto por não ter como bancar um aluguel tão caro. Foi quando veio um segundo efeito: o início de uma favelização na cidade. E bem numa área adjacente a um parque ecológico. Pressionada pelos preços, muita gente foi improvisando. Segundo o Ministério Público Estadual, cerca de 600 pessoas estão vivendo ali.


A especulação dos aluguéis acabou respingando em outras áreas, como a segurança. "Os impactos são tão grandes que hoje qual policial quer vir para Conceição?", indaga o prefeito. "Eles recebem R$ 2 mil a R$ 3 mil e têm de pagar R$ 1,5 mil de aluguel. Ninguém quer vir para cá. Hoje temos aqui uns 20 policiais, entre militares e civis. Eu precisaria de no mínimo 50." Para tentar fazer com que mais policiais se transfiram para Conceição, a prefeitura tem um projeto de construção de uma vila militar.

Outra mudança foi no emprego. Atrás de salários e benefícios tão mais atraentes, muitos se banderam para o empreendimento. Na prefeitura, por exemplo, faltam garis, motoristas, pessoal de limpeza e também profissionais mais preparados. Vários simplesmente deixaram o funcionalismo.

Guimarães fala de outros impactos: o movimento no único hospital da cidade aumentou 70% e o lixão dobrou de tamanho, diz. No caso da saúde, a nova população da cidade fez também aumentar a demanda por vacinas, remédios da farmácia popular e por atendimentos no posto de saúde. A prefeitura diz que os gastos com saúde aumentaram.

Claro que o caixa de Conceição melhorou. A cidade que vivia praticamente de recursos do Fundo de Participação dos Municípios, hoje tem no ISS sua maior fonte de recursos. A receita total de Conceição no ano passado foi de R$ 36 milhões e este ano deve chegar a R$ 45 milhões. Especula-se que em 2015, só de royalties do minério, Conceição passe a receber R$ 200 milhões por ano.

Mas por força de condicionantes e acordos relacionados ao projeto, a Anglo American tem de ajudar a cidade não só fazendo o dinheiro girar. No caso do hospital, a empresa terá de bancar 70% dos gastos por três anos, prorrogáveis por mais três, diz a Secretaria de Saúde. No caso do lixão a céu aberto, a Anglo se comprometeu a construir um aterro sanitário. Nos dois casos, nada ainda é realidade.

O promotor público estadual Marcelo Mata Machado, o único da cidade, acompanha de perto o projeto. Em 2012, o Ministério Público ajuizou três ações civis públicas contra a Anglo e obteve três liminares que interromperam os trabalhos no projeto durante meses. As liminares tratavam dos impactos ambientais e de potenciais riscos a patrimônio arqueológico. Uma ação não deu em nada, mas a empresa acatou os pedidos do MP em troca do encerramento das outras duas, diz o promotor

Em parte pelas questões judiciais, a Anglo alterou seu cronograma: a produção programada para começar este ano ficou para o fim de 2014. Na primeira fase, a capacidade de produção será de 26,5 milhões de toneladas de ferro.

O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais, Adriano Magalhães, lembra que é um projeto complexo, que está num santuário ecológico e numa área turística. "Quando você entra numa região turística, que tem um circuito cultural e histórico para fazer um projeto de mineração, há sempre mais resistências e isso pode não ter sido bem avaliado pela empresa." Ele elogia a direção atual e avalia que ela mostra comprometimento com o projeto e disposição para resolver as questões que surgirem.

Para o promotor, assim como para outros críticos, a Anglo American deixa ainda um rastro de descontentamento. "Se você olha a cartilha com os valores da Anglo, são valores comprometidos com direitos humanos, com respeito às comunidades afetadas. Mas quando escutamos as pessoas afetadas pelo empreendimento aqui na cidade, existe um abismo."


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Agricultores acusam empresa de poluir água dos rios
Se na área urbana os efeitos das obras da Anglo American estão por todo lado, na zona rural de Conceição do Mato Dentro as mudanças são ainda mais intensas. Oitenta famílias foram classificadas como atingidas pelo projeto e dessas 53 já foram reassentadas ou tiveram seus terrenos comprados pela empresa. Mas ainda há muita reclamação daqueles sitiantes, a maioria de pequenos agricultores, que vivem e cultivam a terra nas imediações do projeto.
A queixa mais repetida diz respeito à água. Nas reuniões mensais que Ministério Público e a Defensoria realizam desde abril com moradores e representantes da empresa, o tema é sempre presente.
"Eu usava essa água para tudo, para cozinhar, beber, pescar. Era água para a minha vida. O rio era clarinho, daqui você via os peixes nadando no fundo. Acabou tudo", diz José Adilson de Miranda Gonçalves, de 55 anos, mostrando a água barrenta do córrego Pereira, que banha seu sítio. Segundo ele, água para beber ele tira de uma mina do vizinho e comida vem ou do mercado na cidade ou de um trecho do rio distante de sua casa.
Culpa, segundo diz, da movimentação de máquinas do empreendimento da Anglo que despejam terra e mais terra no Pereira e em outros cursos d'água.
A 20 minutos dali, os moradores da comunidade da Água Quente também se mostram inconformados. Dizem que o córrego chega a ficar "vermelho e até borbulha por cima". "Quando eles começaram a mexer na terra, garantiram que a água ia continuar limpa. Para a gente a água virou mingau. Eles vêm aqui, olham e falam que está boa", diz o agricultor José Lucio Reis dos Santos, de 45 anos. Em Água Quente, a Anglo montou uma estrutura de poço artesiano e fossas sépticas. Mas os moradores dizem que nada se compara à água abundante e limpa que tinham antes do início do projeto.
O promotor não descarta outras medidas, mas tem usado as reuniões mensais para ajudar os moradores a se organizarem e tentarem resolver pendências com representantes da Anglo American e, quando isso não for possível, buscar soluções coletivas. (MMS)



Compensações custarão R$ 500 milhões



Por De Belo Horizonte

O sitiante Gonçalves reclama da sujeira nos: O rio era clarinho, daqui você via os peixes nadando no fundo. Acabou tudo"


A Anglo American disse ter investido até janeiro cerca de R$ 257 milhões para o cumprimento das chamadas condicionantes para a instalação do projeto Minas-Rio. O plano é que até 2015 sejam investidos mais R$ 264 milhões.

A empresa lista alguns dos principais investimentos que promete fazer até o início da fase operacional, no fim do ano que vem. Entre eles são R$ 20 milhões para a área de saúde, principalmente na reforma de unidades básicas de saúde, fornecimento de equipamentos e capacitação de profissionais em Conceição, Alvorada de Minas e também em Dom Joaquim.

Mais R$ 1,6 milhão em um aterro sanitário coletivo para dez municípios de Minas e Rio de Janeiro. A Anglo promete ainda investir R$ 5 milhões no aterramento da fiação elétrica no centro histórico de Conceição e até R$ 4 milhões na restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

O minério de ferro dessa região mineira na Serra do Espinhaço, a 170 km de Belo Horizonte, é classificado pela empresa um minério de "classe mundial, de rara magnitude e qualidade" e como "um dos maiores empreendimentos com recursos ainda não explorados do mundo".

Em uma declaração recente, a presidente global da Anglo American, Cynthia Carroll, disse: "Nós estamos claramente desapontados que a diversidade de desafios que nosso Projeto Minas-Rio tem enfrentado contribuiu para um aumento significativo do capex [para US$ 8,8 bilhões], resultando na baixa contábil que registramos [de US$ 4 bilhões]. Apesar das dificuldades, nós continuamos confiantes na atratividade a médio e longo prazos do Minas-Rio assim como em seu posicionamento estratégico, e permanecemos comprometidos com o empreendimento."

Sobre o lixão a céu aberto em Conceição, a empresa disse estar discutindo com autoridades de Alvorada de Minas, Conceição do Mato Dentro e Dom Joaquim a construção de um aterro para os três municípios.

Além disso, a Anglo American assinou, em novembro, um convênio com o Centro Mineiro de Referência em Resíduos, ligado ao governo de Minas, que está dando apoio técnico ao projeto do aterro.

Sobre o hospital de Conceição, a Anglo também diz estar em "discussão com autoridades locais e estaduais para decidir a melhor solução para a questão". Em paralelo, vem investindo na reforma de uma unidade básica de saúde, na reforma da sede da Secretaria da Saúde e nas obras de ampliação da clínica da cidade.

Quanto a outro tema que preocupa muitos moradores da zona rural - a qualidade da água dos córregos abaixo do empreendimento -, a empresa disse ter implementado em 2011 um plano para "minimizar o carreamento de sedimentos" nas águas do Passa Sete, o córrego que passa pelo distrito da Água Quente. 

Disse também que as "coletas de água são realizadas por laboratório certificado pelo Inmetro e que os resultados têm mostrado eficiência das estruturas de contenção de sedimentos", que a qualidade das águas é compatível "com os limites legais para os cursos de água da região, não perdendo seu potencial de uso".(MMS)


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sexta-feira, 15 de março de 2013

Violeiro Paulo Mourão participa do Revista da Tarde!





Toda sexta-feira, recebo no meu programa Revista da Tarde, na rádio Inconfidência AM 880/ Ondas Curtas,  músicos que fazem parte do atual cenário artístico mineiro.

O quadro se chama Revista Musical, que criei com o objetivo de abrir um espaço para os músicos mostrarem seu trabalho. Nele, eu faço entrevistas intercaladas pelas canjas desses artistas.

O Revista Musical já recebeu centenas de músicos maravilhosos, sempre às sextas feiras, às 15:15.

Hoje tive o enorme prazer e alegria de receber o  músico, intérprete, compositor, cantor e violeiro, Paulo Mourão que também atuou no jornalismo por 30 anos. Ele foi acompanhado do grande percussionista Dino Rodrigues.

Ouça a entrevista desta sexta-feira, dia 15 de março de 2013, clicando no link abaixo:

A primeira parte da entrevista não foi postada, mas a partir de segunda-feira o problema será corrigido e você poderá conferir a entrevista inteira.

Vale a pena ouvir a prosa com Paulo Mourão e Dino Rodrigues!

http://www.inconfidencia.com.br/modules/debaser/player.php?id=6266

segunda-feira, 4 de março de 2013

Proteína produzida pelo corpo feminino pode ser a chave para a cura da Herpes

Proteção natural contra o herpes, uma proteína, encontrada no corpo feminino, barra a entrada de vírus transmitido durante as relações sexuais. Doenças bacterianas como a clamídia, responsável por casos de infertilidade feminina, também podem ser evitadas.


Reportagem de:
Bruna Sensêve






A descoberta de uma proteína produzida pelo corpo feminino pode ser o grande escudo de proteção contra infecções virais até então sem cura, como o herpes tipo 2, e doenças bacterianas com potencial devastador, como a clamídia. Um time de pesquisadores liderados por Ka Yee Fung e Niam Mangan, do Centro de Imunidade Inata e Doenças Infecciosas do Instituto de Pesquisas Médicas da Universidade Monash, na Austrália, publicou resultados nesse sentido na edição de hoje da revista científica Science. Apesar de os experimentos terem sido feitos ainda em camundongos, os autores acreditam que podem estar próximos do desenvolvimento das primeiras estratégias imunizantes contra ambas as doenças.

Denominada de interferon-, a molécula encontrada tem particularidades importantes cientificamente. De forma geral, o grupo de proteínas interferons pertence ao sistema imune inato do organismo, aquele que emite a primeira resposta de defesa quando percebe a invasão de algum agente infeccioso. No momento em que o patógeno é reconhecido, receptores da célula emitem uma sinalização para que seja induzida a produção do exército de interferons, que vão induzir o primeiro estado de resistência antiviral nas células ainda não contaminadas. O interferon- não segue o mesmo caminho. Em vez de ser produzido em situação de crise, ele está presente todo o tempo no tecido epitelial do trato reprodutivo das mulheres.

Também não é a presença de um agente infeccioso que controlará a sua manifestação. A quantidade de interferons- obedece às variações dos hormônios sexuais femininos, acompanhando as oscilações do ciclo menstrual. Logo após o período menstrual, o nível de progesterona é baixo e o de estrogênio, alto. Nessas condições, a expressão do interferon- é a mais alta. Essa taxa cai em 10 vezes na situação inversa, como na fase secretora do ciclo menstrual, em que a progesterona é alta e o estrogênio, baixo. Quando há a implantação de um embrião na parede do útero durante a ovulação, a produção dessa proteína chega a níveis quase nulos. Isso acontece porque a produção de estrogênio cai e dá espaço para a progesterona durante toda a gravidez. Baixas taxas de interferon- também são detectadas em mulheres após a menopausa. “Esses períodos em particular também parecem se correlacionar com aqueles em que elas ficam mais suscetíveis a doenças infecciosas”, analisa Fung.

Análises em fêmeas de camundongo confirmaram que os interferons- agem diretamente na defesa do corpo contra ambas infecções. Fung acredita que, no futuro, poderá ser possível determinar as mulheres que estão mais ou menos expostas às doenças e como será a resposta delas a uma terapia específica. Para isso, no entanto, seria necessária uma estratégia capaz de medir a quantidade ou a competência dos genes que codificam essa proteína em um organismo. “Podemos ter implicações terapêuticas em que, ao administrar essa proteína, vamos proteger as mulheres contra a clamídia. As que mostrarem um pequeno potencial de produção (da proteína) também poderão fazer uso de um complemento ou ainda de outros tratamentos, como vacinas.”

Novas terapias
O professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará José Eleutério Jr., também membro da Academia Internacional de Citologia, destaca que características similares também foram estudadas para outros grupos de proteína, como a MBL (Mannose-biding Lecitin) em estudos de Steven Witkin, da Universidade de Cornell, em Nova York. “Witkin demonstrou que infecções genitais em humanos seriam mais frequentes entre pessoas com uma alteração genética associada a uma redução da ação dessa proteína natural.” Ele salienta que os dois estudos, mesmo abordando elementos diferentes, têm uma característica comum quanto ao risco. “Mais do que uma abordagem terapêutica, está em jogo a identificação de indivíduos que teriam necessidade de rastreio e de diagnóstico mais precoce de infecções, além de uma abordagem preventiva mais intensa”, conclui.


José Eleutério considera a pesquisa promissora e com potencial para esclarecer questões sobre as respostas imunológicas individuais e para desenvolver novas abordagens contra infecções. No entanto, segundo ele, falar em cura para o herpes tipo 2 ainda é improvável. “Espera-se que a evolução dos conhecimentos permita que um dia essa resposta possa ser positiva. Mas os experimentos com o interferon- começaram agora. Os demais interferons têm tido resultados pouco promissores em ensaios clínicos”, avalia. Ele lembra que o vírus da herpes tem como principal característica ficar “escondido” em um gânglio neural localizado na área em que haverá lesão na pele. Desse jeito, torna ainda mais difícil o tratamento com drogas terapêuticas, pois nem sempre eles alcançam o patógeno.

O herpes tipo 2 não tem cura. O tratamento atual consiste na contenção de crises com antivirais. Ainda assim, o vírus não é um grande vilão, já que não existem grandes complicações, apenas um incômodo doloroso e estético. A clamídia, por sua vez, acomete milhões de mulheres e pode chegar a comprometer seriamente o sistema reprodutivo feminino, levando à esterilidade. “Ela é muito esquecida por pacientes e médicos brasileiros por ser, na maioria das vezes, assintomática, em especial em infecções genitais na mulher”, avalia Eleutério. Ele estima que entre 6% e 20% das mulheres possam estar nesse momento infectadas e sem saber. “Embora em países desenvolvidos seja hábito o rastreio de clamídia, no Brasil isso não é feito.”

A ginecologista Yara Furtado de Melo, secretária da Comissão Nacional Especializada em Doenças Infecciosas em Ginecologia e Obstetrícia da Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), explica que a infecção se inicia no colo do útero e pode subir até a tuba uterina sem que haja qualquer manifestação clínica ou sintoma característico. Esse é uma das razões pela qual o rastreamento da doença fica reservado a mulheres grávidas ou àquelas com dificuldade de engravidar. “É uma doença silenciosa que sobe e pode comprometer o desenvolvimento do feto. Também recebemos muitas mulheres com dificuldade de engravidar que fazem o exame e descobrem que as trompas foram obstruídas pela ação da bactéria”, descreve.

Na gravidez, as consequências podem ser drásticas, como abortamento, trabalho de parto prematuro, morte neonatal ou infecções pós-cirúrgicas. O problema, na maioria das vez, pode ser revertido, exceto em casos muito graves. “A trompa uterina tem um epitélio muito fino e, se estiver muito destruído pela infecção, não pode ser recuperado”, explica a ginecologista.

fonte: www.uai.com.br

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Que a justiça seja feita!


foto copiada do Facebook de Maria Lúcia Miranda

"A gente sempre se alegra quando leva alegria para os outros" 

Tive o imenso prazer de receber a autora da frase acima várias vezes no programa Revista da Tarde, que apresento de segunda a sexta, na rádio Inconfidência AM880 ( de 14 às 16hs).

Sempre às segundas-feiras, às 15 horas, vai ao ar o quadro Contadores de Histórias, que é fruto de uma parceria com o Instituto Aletria. 

Ela era uma talentosa e apaixonada contadora de histórias que participou várias vezes do meu programa. Ela vivia para fazer o bem, ajudar as pessoas, alegrar as almas e fazer o mundo melhor.

Lamentavelmente, no dia 13 de fevereiro  último, tiraram a vida dessa mulher, artista, mãe, cantora e contadora de histórias, Maria Lúcia da Silva Miranda.

A suspeita é  que ela teria sido vítima de latrocínio dentro da própria casa, na rua Prados, no Bairro Carlos Prates, em Belo Horizonte-MG, onde morava sozinha.

Maria Lúcia é mais uma das milhares de vítimas dessa trágica violência urbana.

Preocupante a forma rápida que a cada dia situações como essa avançam  em Minas Gerais.. Todos os dias milhares de “Maria Lúcia”  têm suas vidas interrompidas. Alguma coisa precisa ser feita. Do jeito que está  não pode ficar.

Que a bela história de vida de Maria Lúcia Miranda e seu trágico fim, que a todos sensibilizou, sirvam de reflexão para todos nós. Que nos ensinem a cobrar diariamente dos responsáveis, o enfrentamento dessa guerra urbana que amedronta a todos nós. Queremos e precisamos de políticas públicas multidisciplinares e eficientes para não deixar que a situação piore a cada dia.. Precisamos de  um projeto sério, abrangente e inteligente para conter essa violência o mais rápido possível.

Que esse crime bárbaro seja investigado e que  o responsável seja devidamente responsabilizado.

Que a justiça seja feita!

Em homenagem a Maria Lúcia Miranda, posto aqui a participação dela no meu programa Revista da Tarde, que foi ao ar no dia 19 de Março de 2012..

Confira aqui a participação da Maria Lúcia Miranda, narrando belas histórias!

http://www.inconfidencia.com.br/modules/debaser/player.php?id=4168

Confira também a homenagem que a outra sensacional contadora de histórias e atriz Alessandra Visentim fez a Maria Lúcia, no Revista da Tarde do dia 18 de fevereiro.

http://www.inconfidencia.com.br/modules/debaser/player.php?id=6138

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Sustentável e eficiente





Li  a notícia abaixo no blog do Luis Nassif e fui procurar a matéria original para mostrar para você.

Achei super interessante a opção de se trocar o ar condicionado, que consome muita energia e uma boa manutenção,  por uma simples tinta térmica, que além de manter a temperatura agradável, também isola o som ambiente..

Vale a pena conferir a reportagem sobre o assunto publicada no site do Sebrae Sustentabilidade:

Tinta térmica reduz consumo de energia em 60% e temperatura em até 20%


Microesferas ocas de vidro são a matéria-prima da tinta térmica produzida pela WC Isolamento Térmico; produto está em alta fora do país e deve conquistar o mercado nacional




Telhado revestido com tinta térmica

Vanessa Brito

Revestir o telhado com tinta térmica é uma boa alternativa para reduzir o impacto da radiação, a temperatura interna e o consumo energético na refrigeração de ambientes. A WC Isolamento Térmico, empresa de São Bernardo do Campo (SP), é um dos fornecedores de tinta térmica no mercado nacional. Fora do Brasil este produto está em alta, especialmente porque é um aliado contra o aquecimento global e contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa.

A tinta térmica é feita a base de água e microesferas ocas de vidro importadas dos Estados Unidos. A tecnologia é da NASA e foi desenvolvida para revestir navios, aeronaves, tubulações e alvenarias em geral, informa Walter Crivelente Ferreira, diretor da WC. As microesferas são células a vácuo, que não permitem a propagação de temperatura e som. O produto custa menos e é mais sustentável do que a espuma de poliuretano (derivado de petróleo), opção usada no mercado brasileiro em obras de revestimento e isolamento térmico.

Telhados revestidos com tinta térmica chegam a reduzir 60% do consumo de energia elétrica na refrigeração de residências, galpões, prédios, armazéns, entre outros. “A maior incidência de calor é no telhado”, justifica Walter. O produto também diminui até 84% da radiação no telhado e entre 10 a 15% da temperatura por telha, segundo ele. “ Se o local for bem ventilado, a sensação térmica no ambiente interno se torna agradável, sem precisar de ar condicionado”, garante. O produto também atenua temperaturas baixas.

O preço menor comparado ao da espuma de poliuretano está transformando a tinta térmica em uma excelente opção para o mercado nacional. Em média, o custo do produto aplicado numa área de 600 m² é de R$ 26/ m² em São Paulo.

“O poliuretano é um material nobre, mas é caro. Custa 50% mais do que a tinta térmica. As licitações públicas, por exemplo, exigem poliuretano nas obras de isolamento térmico”, informa o empresário.

As Nações Unidas estão elaborando novo regulamento para os editais de suas obras, visando adotar materiais de revestimento mais sustentáveis, segundo ele. A tinta térmica será um deles, pois a relação custo/benefício compensa, prevê Walter.

“As vendas por aqui ainda vão crescer”, afirma o empresário. Por enquanto, a clientela da WC é majoritariamente industrial. A WC atende todo o Brasil, inclusive fazendo a aplicação em outras regiões. Há casos em que o produto é fornecido e a aplicação fica por conta de mão de obra local. A empresa também comercializa espuma de poliuretano.

Opção sustentável

“ Escolher materiais sustentáveis que vão solucionar o problema de temperatura e calor nos ambientes sem agredir o meio ambiente e, ainda, sem usar energia e produtos químicos, é o caminho. As leis vão exigir isso cada vez mais de empresas e indústrias”, ressalta Walter. Os equipamentos de ar condicionado consomem muita energia e emitem gás na atmosfera, argumenta ele.

A WC tem pouco mais de um ano de atividade e nasceu da experiência da Frigs Revestimentos Térmicos, com 40 anos de mercado e dirigida pelo pai de Walter. “Resolvemos abrir um novo empreendimento para focar na tinta térmica”, explica o empresário. “Ela é um produto inovador, que não causa problema na camada de ozônio”, enfatiza.

O produto pode ser aplicado em qualquer tipo de superfície. A durabilidade é de cinco anos. Após esse período, é necessário fazer manutenção como as pinturas comuns. (www.wcisolamentotermico.com.br )



sábado, 2 de fevereiro de 2013

Eis a questão: liberar ou continuar reprimindo?



Neste momento em que a violência avança nas cidades,grandes e pequenas também,  provocada, principalmente, pelo avanço do tráfico de drogas e suas várias facetas, é muito importante o debate lúcido  e pertinente apresentado sobre o assunto pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares, no texto abaixo. 

Na minha opinião, a carta escrita por ele é um dos escritos mais inteligentes que já lí sobre o assunto, e por isso, gostaria de apresentá-la a vocês, através do blog de Yvone Maggie. Confira esse texto incontestável, que nos leva a uma importante reflexão sobre o tema.


Carta de Luiz Eduardo Soares sobre o tema das drogas

sex, 01/02/13
por Yvonne Maggie |
categoria Todas

Caros leitores. Não tenho o hábito de polemizar com os comentaristas do meu blog. É difícil responder e dialogar como gostaria, porém há temas que precisam ser mais aprofundados e debatidos. O assunto das drogas, abordado na semana passada, é um deles. Questão delicada, pois expressar ideias que contradizem a maioria frequentemente gera acusações e depreciações sobre a pessoa que as manifesta. Respeito todas as opiniões e acho fundamental que cada um exponha as suas. Somos livres para pensar e expressar nosso pensamento como reza a nossa Constituição, não é mesmo? Mas alguns tentam calar os que pensam de forma diferente, e usam muitas armas, às vezes até as de verdade, para coagir aqueles que destoam. Acho que devemos combater essa maneira tão violenta de se relacionar com a dúvida, a divergência e o contraditório. Por isso, me exponho e quero criar nesse espaço um clima de debate. Acato todos os comentários e só não divulgo aqueles expressos por palavras de baixo calão ou ofensas morais a pessoas e instituições.

Para me ajudar nessa discussão, pedi ao antropólogo e amigo Luiz Eduardo Soares, grande estudioso do tema da violência urbana e do combate aos entorpecentes para reproduzir a carta enviada por ele a um missivista que lhe questionou sobre o tema. Achei que meus leitores deveriam conhecer as ideias desse incansável antropólogo na luta pela democracia e pelos direitos humanos.

Aqui vai a carta de Luiz Eduardo Soares postada no facebook no dia 25 de janeiro de 2013

“Eis a carta que acabo de enviar a um jovem interlocutor do interior da Bahia, que me escreveu pelo e.mail do site, em resposta a suas questões sobre política de drogas. Achei que vale a pena socializar porque o tema é de interesse geral.


Prezado amigo,

Muito obrigado por sua mensagem e pelas palavras generosas. Fico feliz em saber que você está estudando essa problemática, que é tão complexa e urgente, e precisa de gente jovem inteligente e aberta, disposta a questionar e pensar com a própria cabeça.
O que posso lhe dizer, em síntese, é que não gosto de drogas, nem gostaria que outros gostassem ou usassem. As drogas não fazem bem, a não ser algumas delas quando usadas muito moderadamente e topicamente, como a maconha para certos tratamentos de câncer e outros, o vinho em pequenas doses para a circulação, a cerveja com moderação em certas situações, etc.. Mas, em geral, fazem mal. E mesmo quando fazem algum bem apreciável, têm seus efeitos nocivos paralelos, os chamados efeitos iatrogênicos. 

Ou seja, seria melhor que não houvesse drogas no mundo ou que, havendo, ninguém se interessasse por elas. Infelizmente, não é assim. Drogas existem, muita gente aprecia, consome, algumas pessoas o fazem para fins meramente recreativos e conseguem se controlar com boa e saudável disciplina, outros se viciam, tornam-se dependentes, estragam suas vidas e acabam se autodestruindo. Como há demanda, há oferta e o dinheiro circula, tornando o negócio das drogas um dos mais lucrativos do mundo. Um dos mais lucrativos graças à proibição, que permite aos comerciantes elevar o preço e reduzir a presença da substância geradora dos efeitos psicoativos no produto. Os usuários recreativos ou dependentes pagam sem saber o que estão comprando, e não têm alternativas. Em geral, destroem-se mais pelos componentes que são adicionados às drogas procuradas do que pela ingestão da própria substância entorpecente ou alucinógena. 

O dinheiro gira com mais velocidade, em mais quantidade, os males produzidos pelo consumo são enormes por causa sobretudo das condições impostas ao consumo pela clandestinidade, e tudo isso ainda não é nada diante das consequências trágicas da criminalização do consumo e da produção/distribuição, e da proibição das substâncias: a guerra urbana, com milhares e milhares de mortos, a corrupção de autoridades judiciais, políticas e policiais, etc… Ou seja, um horror. Esse é o quadro atual. Há algo de aproveitável nesse quadro tenebroso? Bem, alguém poderia dizer (se morasse no mundo da Lua ou ignorasse o mundo real): pelo menos a probição impede as pessoas de se drogarem e, aqueles que se tornassem dependentes, de se destruírem. Errado. Como você sabe, compram-se drogas com a maior facilidade em todo o mundo industrializado não totalitário: Europa, EUA, Canadá, Europa, América Latina, na Rússia, no Oriente, inclusive no Brasil. Ora bolas, diria meu avô, então para que manter esse inferno, com efeitos tão trágicos, tão desastrosos, se a proibição legal não se traduz em proibição prática? E atenção: isso acontece em todo lugar, ou seja, não é culpa de nossas polícias. As melhores polícias do mundo não conseguem colocar em prática a proibição. Por que? Porque é impossível, fora de um Estado totalitário, impedir o consumo individual varejista de bens desejados e providos numa dinâmica movida por interesses complementares. Impossível. Portanto, todo o debate está equivocado. É um blefe. A pergunta não é: “Devemos ou não permitir o acesso das pessoas às drogas?” A pergunta é: “Em que contexto é menos mal que esse acesso ocorra? Um contexto normativo, legal, institucional, em que esse acesso seja matéria de polícia e prisão? Ou um contexto em que seja matéria de saúde, educação, cultura, debate livre, sem hipocrisia, na sociedade?”
Por isso, caro amigo, as perguntas que você faz são importantes, inteligentes, mas estão supondo uma realidade que não existe, nem poderia existir: a realidade da proibição legal se aplicando sob a forma de impedimento de acesso das pessoas às drogas.
A legalização não garantiria nada, não resolveria o problema das drogas. Nada disso. Apenas ajustaria a lei à realidade e, com isso, suspenderia um genocídio em curso e a maior parte dos inúmeros efeitos dantescos gerados pelo proibicionismo (o qual não traz, repito, nenhum, absolutamente nenhum efeito positivo, nem mesmo, insisto, o bloqueio do acesso às drogas). Já seria uma contribuição histórica, extraordinária. E então, devolvidos à real situação (muitas pessoas desejam drogas e as consomem), nós, como sociedade, tentaríamos ajudar a que os dependentes sofressem menos, os que corressem riscos de se tornar dependentes encontrassem apoios antes de despencar, e que os consumidores recreativos não problemáticos se divertissem com mais segurança, informação e cuidados.
O melhor exemplo dá-se com o álcool, nossa droga mais grave, de longe a mais danosa em escala nacional (temos cerca de 15 milhões de alcoólatras no Brasil): ninguém minimamente razoável está propondo a criminalização da produção e do comércio, ou do consumo, e a proibição do acesso. Ainda bem. Já pensou se, além de alcoolismo epidêmico nós tivéssemos mais uma guerra contra traficantes de álcool? Não reduziríamos o alcoolismo e, ainda por cima, viveríamos um inferno de violência e prisões ainda mais grave, ainda mais devastador.
Forte abraço e sucesso em suas pesquisas,
Luiz Eduardo”

Fonte:g1.com.br