
Fiquei realmente muito triste com a morte do escritor português e grande humanista José Saramago, por quem tenho uma grande admiração e a quem tive o prazer de entrevistar durante um evento do qual ele participou na Universidade Federal de Minas Gerais, no ano 1999, quando recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFMG, a mais importante honraria concedida pela instituição,
Comunista, ateu e defensor dos menos favorecidos, José Saramago nasceu em 16 de novembro de 1922, na freguesia de Azinhaga, Golegã, em Portugal. Segundo filho do jornaleiro José de Sousa e da dona de casa Maria da Piedade, aos dois anos ele se mudou com a família para Lisboa. O pai, passando por dificuldades financeiras, havia conseguido emprego na Polícia de Segurança Pública.
Em 1940, concluiu o curso de serralheiro mecânico. Autodidata, frequentava a Biblioteca Municipal do Palácio das Galveias, em Lisboa. Escrevia muito, conseguiu emprego como serralheiro e, em 1944, casou-se com Ilda Reis – o casamento durou 26 anos. Com ela teria a única filha, Violante.
Três anos depois, pela Editorial Minerva, publicou o primeiro romance, Terra do pecado. O livro passou despercebido e Saramago empregou-se na Caixa de Previdência do Pessoal da Companhia Previdente, onde ficaria até 1959, sem jamais deixar de escrever. De 1972 a 1973, foi comentarista político do jornal Diário de Lisboa. Só em 1980, aos 53 anos, passou a se dedicar integralmente à literatura depois de lançar, com relativo sucesso, o romance Levantado do chão.
Com esse livro, apontam os estudiosos de sua obra, iniciou o que passou a ser conhecido como “estilo saramagueano”. Mas a consagração definitiva só viria em 1982, quando lançou o clássico Memorial do convento. Considerado por muitos sua obra-prima, o romance deu-lhe os prêmios do Pen Clube de Lisboa e do Município de Lisboa. Em agosto de 1982, morre sua mãe e Levantado do chão é editado na Alemanha e na Rússia.
Ligado ao Partido Comunista português desde 1969 – romperia com a legenda alguns anos depois –, Saramago nunca se recusou, ideologias à parte, a apoiar causas sociais. Em 1994, declarou simpatia à revolta zapatista ocorrida no estado mexicano de Chiapas. Em 1995, lançou outro romance que se tornaria célebre: Ensaio sobre a cegueira. Foi agraciado com o Prêmio Camões – o mais importante da língua portuguesa – pelo conjunto da obra.
A José Saramago dedico minha admiração. Sentirei saudades desse homem que, através de seus livros mostrou que todos nós temos uma parcela de responsabilidade na cegueira social que assola o mundo moderno mas, também nos mostrou que a lucidez é possível e pode ser conquistada por todos nós.
José Saramago virou uma estrela mas, vai continuar iluminando nossas mentes, eternamente!
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